EUR/USD recupera à medida que procura pelo dólar como refúgio diminui

O euro está a ganhar terreno a 1 de abril, mas a questão que paira sobre os mercados cambiais é se este é realmente um ponto de viragem ou apenas um alívio temporário assente em bases frágeis. Um único relatório — de que o Presidente Trump indicou que a campanha contra o Irão poderá terminar mais cedo do que o anteriormente sugerido — desfez semanas de procura pelo dólar como refúgio, mas as forças estruturais que levaram o EUR/USD a mínimos de três meses mantêm-se firmemente presentes.
O par valorizou cerca de meio por cento, regressando à zona dos $1,15, revertendo parcialmente um mês de março que figura entre os piores para o euro em quase um ano.
Um trimestre brutal para o euro
O euro caiu cerca de 2,5% face ao dólar em março, a sua maior queda mensal desde julho, e perdeu quase 2% no primeiro trimestre — o pior desempenho trimestral desde o terceiro trimestre de 2024. Essa erosão resultou quase inteiramente de uma única fonte: a vulnerabilidade aguda da Europa aos preços elevados do petróleo.
Quando os ataques dos EUA e de Israel ao Irão provocaram uma subida do Brent no final de fevereiro, o euro tornou-se uma das moedas principais mais penalizadas. Ao contrário dos Estados Unidos, que são exportadores líquidos de energia há quase uma década, a zona euro depende fortemente das importações de crude. Cada dólar acrescido ao preço do petróleo funciona como um imposto sobre o crescimento europeu e, com o Brent acima dos $100 por barril durante grande parte de março, os traders reduziram agressivamente a exposição ao euro. O dólar, beneficiando simultaneamente dos fluxos de refúgio e da sua relativa proteção face a perturbações energéticas, registou um ganho de cerca de 2,5% no mês — também o seu melhor desde julho.
A posição impossível do BCE
A postura do Banco Central Europeu acrescentou outra camada de complexidade. O BCE manteve a sua taxa de depósito nos 2,0% na reunião de fevereiro, marcando a quinta manutenção consecutiva, e as projeções de março reforçaram uma abordagem dependente dos dados, reunião a reunião. Analistas notam que as projeções dos técnicos do BCE deixam pouco espaço para uma valorização adicional do euro sem arriscar que a inflação fique aquém da meta de 2%, enquanto um choque prolongado do petróleo pode enfraquecer o crescimento.
Esse dilema estagflacionista deixou o BCE com pouca margem de manobra. Os mercados de futuros chegaram, em alguns momentos de março, a antecipar a possibilidade de subidas das taxas do BCE já em julho — uma inversão dramática face às expectativas de cortes que abriram o ano. Analistas do JPMorgan notaram que os movimentos cambiais até à data ainda não atingiram níveis que preocupem o BCE, mas alertaram que uma deterioração dos dados de crescimento ou uma queda mais acentuada do euro podem alterar rapidamente essa avaliação.
Quadro técnico: uma recuperação após danos
Do ponto de vista técnico, o EUR/USD aproximou-se do suporte perto dos $1,1505 — um mínimo de mais de três meses — antes de os relatos de desanuviamento desencadearem a recuperação atual. O salto para a zona dos $1,1532–1,1543 aproximou o par da resistência de curto prazo. O índice do dólar, a manter-se perto dos 99,96–100,00, continua elevado em relação aos níveis anteriores ao conflito, sugerindo que o mercado ainda não abandonou totalmente a preferência pelo greenback.
O iene registou uma recuperação paralela ao euro, com o USD/JPY a recuar dos máximos recentes na zona dos 150, após as autoridades japonesas voltarem a alertar contra vendas especulativas de ienes e darem a entender que estão a acompanhar de perto os mercados.
Sinais contraditórios ensombram as perspetivas
Estrategas notam que o par tem acompanhado os preços do petróleo com uma sensibilidade invulgar ao longo do conflito, e qualquer nova escalada pode rapidamente inverter os ganhos de hoje. Esse risco esteve presente já a 1 de abril: altos responsáveis dos EUA alertaram que os próximos dias seriam decisivos e ameaçaram intensificar os ataques caso Teerão não recuasse — comentários que surgiram no mesmo dia em que foram divulgadas notícias sobre a disposição de Trump para encerrar as operações. Forças iranianas terão também atacado um petroleiro nas águas do Golfo, um lembrete de que as perturbações físicas no transporte marítimo não cessaram.
Analistas descreveram o EUR/USD como estando preso entre duas forças. O prémio de refúgio do dólar, construído durante o conflito com o Irão, começa a esvaziar. Mas a dependência europeia das importações de energia significa que mesmo uma reabertura parcial do Estreito de Ormuz pode não ser suficiente para restaurar totalmente a confiança no crescimento da zona euro.
O que os traders vão acompanhar a seguir
O relatório de emprego não agrícola dos EUA de março, previsto para 3 de abril, será a primeira leitura importante sobre como os mercados laborais absorveram o choque do petróleo. O IPC de março, agendado para 10 de abril, esclarecerá se os preços da energia se refletiram na inflação subjacente. A reunião de política monetária do BCE no final de abril poderá alterar o tom do Conselho de Governadores sobre os riscos de inflação e definir a trajetória do EUR/USD para o segundo trimestre.
Para além dos dados, qualquer desenvolvimento no conflito com o Irão — avanços num cessar-fogo ou nova escalada — poderá revelar-se o fator mais decisivo para o par. Para já, a recuperação do euro reflete esperança e não resolução. As condições que o levaram aos mínimos recentes não mudaram de forma material. O que mudou foi a narrativa — e nos mercados cambiais, isso pode ser suficiente, até deixar de o ser.
Os dados de desempenho apresentados referem-se ao passado, e o desempenho passado não é garantia de desempenho futuro nem constitui um guia fiável para o desempenho futuro.